A importância do lúdico no desenvolvimento da criança.

February 25, 2009 by danielle  
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Maria do Rosário Silva Souza

O brinquedo é oportunidade de desenvolvimento. Brincando, a criança experimenta, descobre, inventa, aprende e confere habilidades. Além de estimular a curiosidade, a autoconfiança e a autonomia, proporciona o desenvolvimento da linguagem, do pensamento e da concentração e atenção.

Brincar é indispensável à saúde física, emocional e intelectual da criança. Irá contribuir, no futuro, para a eficiência e o equilíbrio do adulto.

Brincar é um momento de auto - expressão e auto - realização. As atividades livres com blocos e peças de encaixe, as dramatizações, a música e as construções desenvolvem a criatividade, pois exige que a fantasia entra em jogo. Já o brinquedo organizado, que tem uma proposta e requer desempenho, como os jogos (quebra-cabeça, dominó e outros) constitui um desafio que promove a motivação e facilita escolhas e decisões à criança.

O brinquedo traduz o real para a realidade infantil. Suaviza o impacto provocado pelo tamanho e pela força dos adultos, diminuindo o sentimento de impotência da criança. Brincando, sua inteligência e sua sensibilidade estão sendo desenvolvidas. A qualidade de oportunidades que estão sendo oferecidas à criança através de brincadeiras e brinquedos garantem que suas potencialidades e sua afetividade se harmonizem. A ludicidade, tão importante para a saúde mental do ser humano é um espaço que merece atenção dos pais e educadores, pois é o espaço para expressão mais genuína do ser, é o espaço e o direito de toda criança para o exercício da relação afetiva com o mundo, com as pessoas e com os objetos.

Um bichinho de pelúcia pode ser um bom companheiro. Uma bola é um convite ao exercício motor, um quebra - cabeças desafia a inteligência e um colar faz a menina sentir-se bonita e importante como a mamãe. Enfim, todos são como amigos, servindo de intermediários para que a criança consiga integrar-se melhor.

As situações problemas contidas na manipulação dos jogos e brincadeiras fazem a criança crescer através da procura de soluções e de alternativas. O desempenho psicomotor da criança enquanto brinca alcança níveis que só mesmo a motivação intrínseca consegue. Ao mesmo tempo favorece a concentração, a atenção, o engajamento e a imaginação. Como conseqüência a criança fica mais calma, relaxada e aprende a pensar, estimulando sua inteligência.

Para que o brinquedo seja significativo para a criança é preciso que tenha pontos de contato com a sua realidade. Através da observação do desempenho das crianças com seus brinquedos podemos avaliar o nível de seu desenvolvimento motor e cognitivo. No lúdico, manifestam-se suas potencialidades e ao observá-las poderemos enriquecer sua aprendizagem, fornecendo através dos brinquedos os nutrientes ao seu desenvolvimento.

A relação criança X brinquedo X adulto

A criança trata os brinquedos conforme os receberam. Ela sente quando está recebendo por razões subjetivas do adulto, que muitas vezes, compra o brinquedo que gostaria de ter tido, ou que lhe dá status, ou ainda para comprar afeto e outras vezes para servir como recurso para livrar-se da criança por um bom espaço de tempo. É indispensável que a criança sinta-se atraída pelo brinquedo e cabe-nos mostrar a ela as possibilidades de exploração que ele oferece, permitindo tempo para observar e motivar-se.

A criança deve explorar livremente o brinquedo, mesmo que a exploração não seja a que esperávamos. Não nos cabe interromper o pensamento da criança ou atrapalhar a simbolização que está fazendo. Devemos nos limitar a sugerir, a estimular, a explicar, sem impor nossa forma de agir, para que a criança aprenda descobrindo e compreendendo, e não por simples imitação. A participação do adulto é para ouvir, motivá-la a falar, pensar e inventar.

Brincando, a criança desenvolve seu senso de companheirismo. Jogando com amigos, aprende a conviver, ganhando ou perdendo, procurando aprender regras e conseguir uma participação satisfatória.

No jogo, ela aprende a aceitar regras, esperar sua vez, aceitar o resultado, lidar com frustrações e elevar o nível de motivação.

Nas dramatizações, a criança vive personagens diferentes, ampliando sua compreensão sobre os diferentes papéis e relacionamentos humanos.

As relações cognitivas e afetivas da interação lúdica, propiciam amadurecimento emocional e vão pouco a pouco construindo a sociabilidade infantil.

O momento em que a criança está absorvida pelo brinquedo é um momento mágico e precioso, em que está sendo exercitada a capacidade de observar e manter a atenção concentrada e que irá inferir na sua eficiência e produtividade quando adulto.

Vamos brincar?

Brincar junto reforça os laços afetivos. É uma manifestação do nosso amor à criança. Todas as crianças gostam de brincar com os pais, com a professora, com os avós ou com os irmãos.

A participação do adulto na brincadeira da criança eleva o nível de interesse, enriquece e contribui para o esclarecimento de dúvidas durante o jogo. Ao mesmo tempo, a criança sente-se prestigiada e desafiada, descobrindo e vivendo experiências que tornam o brinquedo o recurso mais estimulante e mais rico em aprendizado.

Guardar os brinquedos com cuidado pode ser desenvolvido através da participação da criança na arrumação feita pelo adulto. O hábito constante e natural dos pais e da professora ao guardar com zelo o que utilizou, faz com que a criança adquira automaticamente o mesmo hábito, ocorrendo inclusive satisfação tanto no guardar como no brincar.

” Os professores podem guiá-las proporcionando-lhes os materiais apropriados mais o essencial é que, para que uma criança entenda, deve construir ela mesma, deve reinventar. Cada vez que ensinamos algo a uma criança estamos impedindo que ela descubra por si mesma. Por outro lado, aquilo que permitimos que descubra por si mesma, permanecerá com ela.” ( Jean Piaget)

Maria do Rosário Silva de Souza.
Psicopedagoga - Campinas /SP

QUER SABER O DIREITO DOS BEBÊS? LEIA AQUI!

February 19, 2009 by danielle  
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1. DIREITO DE TER UMA MÃE

O instinto materno vem sofrendo mudanças na vida moderna, mãe é mãe e o bebê precisa dela, de seus braços, do aconchego, do seu leite, seus cuidados, sua voz. Mas mãe é mãe, sem hesitação, sem se sentir obrigada, sem ser sacrificada. A essência da maternidade é sua criatividade instintiva para estabelecer uma relação positiva com o bebê. O bebê humano, para alcançar suas amplas potencialidades, leva algum tempo para amadurecer. Para isso, ele necessita de boas condições indispensáveis e oxigenação constante e adequada e de cuidados maternos, que lhe proporcionam um bom desenvolvimento psicomotor.

O crescimento cerebral é intenso e acelerado - mas ao nascer a matéria cinzenta é incompleta, as células ainda não estão prontas. O recém- nascido é um ser indefeso e só funciona por meio da mãe, da qual não pode separar- se. O vínculo que se desnvolve entre ele e a mãe é que lhe confere o amadurecimento do sistema nervoso.

2. DIREITO A UMA BOA OXIGENAÇÃO

O bebê precisa ” aprender” a respirar - sua primeira respiração é o choro do nascimento. Depois que ele expele os líquidos do pulmão, ele começa a buscar oxigênio, ainda com a respiração superficial e rápida. O diafragma começa aprender a levar ar para os pulmões. Como é que o bebê começa a respirar? Pelo toque materno, a cada vez que é manuseado pela mãe, ele respira mais profundamente nos primeiros dias, nesse contato corpo a corpo com ela, ele vai acompanhando o ritmo de sua respiração. É por isso que ele não pode ficar ” hibernando”. Ele precisa ser tocado, manuseado. Passar a mão na cabeça, acarinha- lo, balançá- lo gentilmente, dar o peito tudo isso o ajuda a respirar melhor. Ele não precisa ficar chorando para respirar melhor - precisa é de ” maternagem “, que coloca em ação certos reflexos nervosos que lhe asseguram uma boa respiração. A oxigenação adequada é um dos fatores responsáveis pelo rápido desenvolvimento cerebral. Respirar bem é um dos principais fatores para uma boa forma física e mental para toda vida.

3. DIREITO AO COMPORTAMENTO INSTINTIVO

O bebê apresenta movimentos e reflexos involuntários, considerados ” sem propósito”, mas que têm grande influência na circulação.

Ainda no útero, os movimentos fetaisaumentam o fluxo sanguíneo para o cérebro e demais tecidos do bebê.

Os ” espantos “, viradas bruscas da cabeça e do corpo têm a finalidade de expandir os capilares e levar mais sangue para os pulmões e o cérebro.

É por isso que, quando os movimentos de um bebê são tolhidos por luvas e macacões constritores par impedir a sucção dos dedos, provoca reações de pânico como se a respiração estivesse faltando. É evidente que a livre movimentação dos músculos é necessária para saúde e bem- estar do bebê.

Os bebês não pensam para agir - seu comportamento é todo instintivo, com reação aos estímulos e toques que determinam o estabelecimento do princípio do prazer- dor- prazer e servem ao sentimento de ter um self.

Enquanto seu amadurecimento não acontece, a mãe tem que pensar por ele, mas com a devida sabedoria para que não se aplique em tornar mais inútil a tarefa deexigir dele níveis mais altos de compreensão.

Mesmo pessoas inteligentes caem na cilada de deixar o bebê chorando ” para aprender”- e mesmo esperar o alimento!

As necessidades do bebê exigem atendimento rápido - somente pelo segundo ano a criança estará pronta para aprender o que lhe convém.

Bebês entregues a si mesmos desenvolvem atitudes autistas de desamparo e sucção deseperada dos dedos.

Há mães que rejeitam os comportamentos preventivos dos bebês, cujas características são exclusivamente biológicas, ligadas a sucção e eliminação do alimento e à respiração, enquanto cérebro desenvolve o bebê cresce. Posturas rígidas, horários certos e controle de fraldas nessa idade precoce são modos ridículos de afrontar a natureza.

4. DIREITO AO SONO

Nos primeiros três meses, o bebê não tem o sono naturalizado - fica numa espécie de torpor enquanto certas funções inernas se organizam.

O sono profundo e regular só acontece pelo fim do terceiro mês. Até lá, o bebê deve ser tirado do seu torpor a intervalos frequentes e levado ao seio. Essas medidas são altamente positivas quanto à oxigenação do cérebro, que se ativa a cada movimentação do corpo e a cada mamada. Tentar ” ensinar” o controle de fraldas precocemente a um bebê é uma atitude rídicula que afronta a natureza.

Deve- se também lembrar que a finalidade de embalar e ninar o bebê lhe confere estímulos sensoriais necessários ao tônus muscular quando se canta ( acalanto).

O sentido biológico do acalanto é que o cérebro está “dormindo sossegado” e que a mamãe está cuidando do soninho.

5. SENTIR E SER TOCADO

A reação dos bebês ao comportamento corporal traduz- se em crises de choro, hábito desesperado de chupar os dedos, outros regurgitam ou entram em estado de inanição ou até em choque.

Quanto mais tiver seus movimentos tolhidos ou se estiver sofrendo de asfixia neonatal, mais seu desenvolvimento se tornará negativo. Os impulsos funcionais são inicialmente muito difusos para se organizarem, precisam de toque e satisfação oral.

O choro nas primeiras semanas tem a finalidade de exercitar a respiração, mas, subsequentemente, se o bebê não é confortado e acalantado, o choro pode persistir como hábito. Além disso, o bebê pode passar a bater a cabeça no berço ou assumir ares de alheamento com o olhar vago e perdido, adquirir hábitos auto- críticos ou retardar a fala.

Quando o vínculo mãe- filho é completo, o desenvolvimento manual flui de maneira integrada. Quem quiser conferir a diferença, é só observar crianças neglignciadas e criadas sem mãe.

6. DIREITO DE TER UM PAi

Embora o papel da mãe junto ao bebê ocupe o primeiro plano, o papel do pai não pode ser negligenciado, sob pena de deixar um vácuo na criança. Para ela, uma das experiência mais fortes é sentir que há dois tipos de pessoas no mundo, diferentes nas qualidades e na aparência, e que são complementares e a cujos cuidados o bebê tem direito.

A presença paterna, mesmo que somente por uma hora pela manhã e/ ou a noite, contribui mensuravelmente para o bem- estar da criança e reduz o apego exagerado à mãe, estabelecendo o papel de terceira pessoa na relação exclusiva.

Esse cuidado começa no acompanhamento obstétrico e continua com o pai ajudando a cuidar do bebê.

O vínculo entre seus pais fortalece o tônus emocinal dos bebês, eles não “pensam”, sentem!

Crianças tristonhas, ou com retardo motor ou da fala se beneficiam com a presença do pai e em poder brincar com ele.

7. DIREITO AO DESENVOLVIMENTO EMOCIONAL

A expressão das emoções começa por volta do quarto mês - os olhos do bebê focam- se na mãe, ele sorri em sua presença, todo seu sistema motor se mobiliza em antecipação.

Se a mãe desaparece de repente ou fica pouco com ele, ele chora. Além de ser sua fonte de toque e conforto, de estimular sua respiração e lhe dar alimento, ela se torna o “abre-te, Sésamo” para sentimentos de bem- estar e satisfação, ou de tensão e desapontamento.

Seus olhos e ouvidos aguçam- se como receptores, e ele se torna capaz de receber o estímulo emocional da presença da mãe e / ou do pai.

O que mais impressiona são a presença e a voz da mãe, assim ele se alimenta e dorme em seguida, confortavelmente satisfeito com a certeza de ter a mãe ao lado.

A partir dos seis meses, quando está mais apto a sentar e buscar objetos, ele tolera melhor breves períodos de ficar sozinho, sem se sentir abandonado, como também ligar- se a outras figuras da casa.

Desconheendo isso, mesmo mães preparadas, não se dão conta da fase emocional do bebê. Geralmente, ela tem que voltar ao trabalho no terceiro ou quarto mês sem ter tomado providências sobre sua substituta - seja a mãe uma doméstica, uma artista ou uma executiva.

Isso as leva a racear um vínculo muito forte e a ” manha”, mas é justamente o calor do vínculo que vai possibilitar ao bebê aceitar bem a separação. O conceito espartano de deixar o bebê se virar não cabe nessa idade.

As crises de birra não podem ser vistas simplesmente como “gênio forte”, mas são manifestações de hiperextensão necessárias ao estabelecimento do tônus muscular que vai permitir ao bebê sentar- se e andar, isso fica evidente quando esperneia, sinalizando que os músculos querem agir.

E o medo? Há dois tipos de medo: a ansiedade inata ( angústia de nascer) e o medo dirigido àquilo que seja ameaçador ao corpo, principalmente a perda da mãe - esse desconforto se associa as suas necessidades biológicas, fome, dificuldade para respirar e solidão.

Outro dos primeiros medos é o medo do escuro, que o priva de ver a mãe e do estímulo positivo que a luz oferece. O escuro aumenta o sentimento de solidão. Ele só se assusta com barulhos e desconfortos corporais.

Uma mãe substituta pode, progressivamente, captar o olhar do bebê e seu sorriso lhe dirá que ele a reconhece.

As emoções são parte do nosso equipamento existencial e tem valor de sobrevivência. São elas que nos permitem amar, lutar ou fugir - ou pelo menos pensar.

Dra. Relva

Do livro PEDIATRIA RADICAL

ALEITAMENTO MATERNO NOS PRESÍDIOS FEMININOS

January 28, 2009 by danielle  
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José Heitor dos Santos
Promotor de Justiça

O aleitamento materno é de fundamental importância para o desenvolvimento sadio da criança. O colostro, substância que aparece logo depois do parto, possui elementos que protegem o bebê contra a maioria das doenças da primeira infância, sendo, portanto, importante que o recém-nascido mame o colostro, mesmo que a mulher decida não amamentar por muito tempo.
Segundo PEREIRA :

Apesar de contar hoje com variados tipos de leite artificial, mamadeiras etc., o desmame precoce não é saudável para a mãe, e muito menos para o bebê, pois ambos têm na amamentação o conforto para suprir o baque de terem sido separados abruptamente por ocasião do parto. Do ponto de vista físico, a amamentação ajuda a volta do útero, no pós-parto, às suas condições anteriores à gravidez, sem desprezar os aspectos psicológicos . (Direito da Criança e do Adolescente, Ed. Renovar, p. 369).

Citando Joseph L. Stone e Joseph Church, PEREIRA esclarece que:

à parte o grande valor nutritivo do leite materno e sua conveniência (nenhuma fórmula a ser aviada e nenhuma rotina de esterilização a ser seguida), tem uma vantagem emocional, de vez que automaticamente representa um “tempo extra” para mãe e filho ficarem juntos, um tempo em que o bebê pode observar e aprender a conhecer o rosto de sua mãe e sentir-se perto, aquecido e protegido .

A mesma autora, citando Maria Tereza Maldonando, trás as seguintes informações sobre o aleitamento materno:
Deixar de sugar a mãe e de apoiar o resto do corpo sobre o seio, sem possibilidade de senti-la, tocá-la e receber o calor materno, acarreta uma perda substancial para a criança. Embora a mamadeira seja mais fácil de usar em razão da pressão atmosférica que age sobre o leite, esta alternativa, sobretudo nos primeiros meses, representa, indiscutivelmente, uma perda. Essa é a razão por que as crianças que tomam precocemente a mamadeira usam mais a chupeta do que as alimentadas ao seio; estas desprezam mais comumente a chupeta porque realizaram o prazer e o desejo da sucção do seio, que é um ato fisiológico, normal nos primeiros meses de vida .

Escreve Antônio Chaves, citando Irany Novah Moraes, que:
o leite materno transfere ao filho grande resistência às infecções, protegendo-o na fase inicial da vida, exatamente no período em que, pelo nascimento, ele é subitamente colocado a enfrentar o mundo. Além dos elementos específicos que o leite possui, ele é melhor digerido pela criança do que o de vaca. O leite materno é superior ao leite de vaca. Este fato significa possibilitar à criança crescer mais rapidamente se alimentada dessa forma. Por outro lado devem ser ressaltados os aspectos espirituais que envolvem tal prática. O aconchego do ato de mamar cria entre a mãe e filho um profundo clima de identificação e marca, para sempre, a personalidade da criança, preparando-a para saber transmitir e receber amor .

Nem toda criança, porém, tem assegurado este direito que, antes de ser legal, é natural. As causas são as mais diversas, mas há uma que é provocada pela omissão do Estado, que não vem dotando as cadeias públicas e os presídios femininos de berçários ou de locais apropriados para que as mães presidiárias possam amamentar seus filhos.

A Constituição Federal dispõe que às presidiárias serão asseguradas condições para que possam permanecer com seus filhos durante o período de amamentação (art. 5º., inc. L), enquanto o Estatuto da Criança e do Adolescente estabelece que o Poder Público, as instituições e os empregadores propiciarão condições adequadas ao aleitamento materno, inclusive aos filhos de mães submetidas à medida privativa de liberdade (art. 9º). Nessa mesma linha, a Lei de Execução Penal (LEP) determina que os estabelecimentos penais destinados a mulheres serão dotados de berçário, onde as condenadas possam amamentar seus filhos (art. 82, § 2º), prevendo ainda que a penitenciária de mulheres poderá ser dotada de seção para gestante e parturiente e de creche com a finalidade de assistir ao menor desamparado cuja responsável esteja presa (art. 89).

O dispositivo constitucional acima referido tem caráter eminentemente humanitário e trata-se de um desdobramento do princípio mais amplo de que a pena não pode passar da pessoa do réu. Para que a amamentação se torne possível, é necessário que as cadeias e presídios femininos dispensem condições materiais para que se possa levá-la a efeito. A Constituição Federal e as leis infraconstitucionais asseguram esse direito e muito embora o dispositivo constitucional faça referência a condições futuras que serão asseguradas, encerra, na verdade, um dispositivo de aplicabilidade imediata, pois as providências nele referidas não chegam a exigir qualquer medida legislativa. Não é muita coisa o que se exige para o cumprimento do dispositivo. Não é nada, na verdade, que não possa ser alcançado dentro da esfera de competência da própria diretoria do estabelecimento penitenciário.

A ausência de berçários ou de locais adequados para o aleitamento materno no sistema penitenciário vem prejudicando flagrantemente a criança e a mãe presidiária, pois imediatamente ao seu nascimento a criança é separada da mãe e entregue aos cuidados de familiares, de terceiras pessoas ou de instituições ou, não sendo possível esta solução, a mãe é colocada em liberdade para amamentar o filho ou então permanece com ele na cela, ao lado de outras detentas, em situação absolutamente adversa, já que a cela, em regra, é um lugar insalubre, não há sol, a água é fria, o banheiro e o vaso sanitário são coletivos, enfim a cela de um presídio ou de uma cadeia pública não é lugar para a permanência de uma criança recém-nascida.

Por outro lado, as soluções que costumeiramente são adotadas não resolvem o problema. A entrega da criança aos cuidados de terceiros dificulta ou impede o direito à amamentação. A colocação da mãe em liberdade não tem previsão legal e pode, no futuro, servir de incentivo a que outras presidiárias engravidem para obter a liberdade. A criança não pode ser o “alvará de soltura” da mãe-presidiária. A permanência da criança ao lado da mãe na cela da cadeia ou do presídio é a pior solução. O lugar é inadequado e absolutamente insalubre.

A solução, portanto, é a que está na Constituição Federal, no Estatuto da Criança e do Adolescente e na Lei de Execuções Penais, ou seja, é preciso que o Estado construa berçários ou faça adaptações na cadeia ou nos presídios que possam servir para acomodar mães-presidiárias durante o período de amamentação de seus filhos.

Não é difícil. Basta um pouco de boa vontade, espírito humanitário e vontade de cumprir as leis em vigor. Na comarca de Mirassol existe uma cadeia pública feminina e depois de discutido judicialmente o problema, através de provocação da Promotoria de Justiça, a questão foi facilmente resolvida e hoje a cadeia tem um espaço adequado, com berços, chuveiro com água quente, camas, onde a criança e a mãe permanecem durante o período de aleitamento materno.

O direito à amamentação não se trata de mera faculdade, seja do empregador, do Poder Público ou de suas Instituições. É obrigatório e cabe ao Ministério Público fiscalizar o seu devido cumprimento, promovendo, se o caso, medidas judiciais para garantir o direito à saúde da criança.

Consagração da Criatura

January 28, 2009 by danielle  
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Filho…igualzinho à minha poesia
Você nunca foi meu órgão

Capaz de prosseguir com essa invenção chamada humanidade
Você é a barbaridade de ter feito a minha barriga crescer
Meu corpo zunir, abrir, escancarar pra você sair
De onde eu nunca pus sequer os pés , as mãos
Da casa em que vivo e habito sem nunca ter entrado
E haverá sempre um leite materno.

Olhou as minhas entranhas enquanto virava ser humano
Quieto dentro de mim como as palavras antes de serem poesia
Mas fui apenas uma pensão, uma besteira
Ou um hotel cinco estrelas
Ou um amniótico colchão
Hoje saído dessa embalagem, me olhas como miragem
De parecer tão próprio, tão seu…

Deixar de ser óvulo, indefinição, projeto, embrião…

Escorrendo pelo seu terno
Como mirra, benção, distração
Como birra, alimento, maldição
Maior que em mim, melhor que mim.
Está pronto e feito como o meu melhor poema…
ELISA LUCINDA

MAMÃE é DOWN!

December 27, 2008 by danielle  
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Inclusão!

Portadora de

SÍNDROME de DOWN e mãe da Valentina

Há no mundo cerca de 30 casos documentados de mulheres com a síndrome que deram à luz. Uma delas é Maria Gabriela, mulher de Fábio e mãe da pequena Valentina

Solange Azevedo (texto) e Rogério Albuquerque (fotos), de Socorro (SP)

EM FAMÍLIA

Valentina não herdou a deficiência intelectual do pai, Fábio, nem a síndrome de Down da mãe, Gabriela.

Tio, a barriga da Gabriela está dando socos. “Foi assim, no meio de um bate-papo inocente, que o estudante Fábio Marchete de Moraes, de 28 anos, deixou escapar que ele e a mulher brincavam de “examinar” o ventre dela. Fábio não imaginava que as pancadinhas partiam de uma criança em gestação. Maria Gabriela Andrade Demate, a dona da barriga, também de 28 anos, não fazia idéia de que estava grávida. Embora estivessem juntos havia três anos, dividindo o mesmo teto e a mesma cama, Fábio e Gabriela acreditavam que o sexo entre eles fosse proibido. Seus pais nunca tinham dito, de maneira explícita, que permitiam esse tipo de intimidade. Gabriela tem síndrome de Down. Fábio é deficiente intelectual.

Foi por desconfiar do abdome saliente de Gabriela que o amigo de Fábio procurou a mãe da jovem. “Os dois vêm a minha choperia quase todos os dias e me chamam de tio”, diz Vlademir Cypriano. “Eles me contam coisas que não falam para mais ninguém.” Um teste de farmácia, comprado às pressas, não foi suficiente para eliminar a suspeita. “Mesmo vendo as duas listrinhas do exame, não acreditava que a minha filha estivesse grávida”, afirma Laurinda Ferreira de Andrade. “Levei Gabriela a três ginecologistas e nenhum deu certeza de que ela pudesse ter um bebê. Percebi que estava ficando mais gordinha. Mas achei que fosse por comer demais”. A gestação avançada, descoberta aos seis meses, gerou pânico e encheu a família de dúvidas. Até o nascimento prematuro de Valentina, transcorreram cerca de 60 dias. “Foram os mais longos da minha vida”, diz Laurinda.

“Minha filha não tinha feito o pré-natal desde o início, como é recomendado. Por causa da síndrome de Down, ela poderia ter problemas cardíacos.

A gravidez era de risco”.

Apesar de o processo de inclusão dos deficientes na sociedade estar distante da perfeição, Gabriela representa uma geração que tem desbravado caminhos. Quando ela nasceu, em 1980, não era comum avistar crianças Downs nos arredores de Socorro – município paulista de 33 mil habitantes fincado na divisa com Minas Gerais, onde Gabriela cresceu – nem pelas ruas de grande parte das cidades brasileiras. “Na hora do parto, perguntei ao médico: Doutor, a minha filha é perfeita? “, diz Laurinda. “Ele me respondeu: O que é ser perfeita? É ter braços? Pernas? Então ela é perfeita”.
Embora desconfiassem do diagnóstico, nenhum profissional do hospital revelou à família a deficiência de Gabriela. Afirmaram apenas que ela tinha algum “problema genético”. Ao deixar a maternidade, Laurinda procurou ajuda. “Foi um choque descobrir que a minha filha era Down. O médico me contou da pior forma possível. Disse que ela ia ter um monte de doenças, ter problemas cardíacos e ia morrer. Até que uma amiga me alertou que eu teria de escolher entre fechá-la dentro de casa ou abri-la para o mundo. Vesti a Gabriela com a melhor roupa e saí.”

A desinformação – que em parte se deve aos próprios profissionais de saúde – perpetua um mito que a ciência já derrubou. É raro, mas mulheres Downs podem engravidar. “No mundo todo, há apenas cerca de 30 casos documentados de mulheres Downs que tiveram filhos”, diz Siegfried M. Pueschel, geneticista do Rhode Island Hospital, nos Estados Unidos, um dos maiores estudiosos da síndrome.
Os homens são quase sempre estéreis. Na literatura médica, há só três casos descritos de pais Downs. Com as mulheres é diferente. “Um terço delas é fértil. Um terço ovula irregularmente. E um terço não ovula”, afirma o geneticista Juan Llerena Junior, do Instituto Fernandes Figueira, uma unidade da Fiocruz. “Hoje, os jovens que têm a síndrome estão mais expostos à vida social e ao sexo. Muitos deles trabalham, têm amigos, saem para se divertir. Antes não era assim. Eles ficavam mais reclusos”, diz Pueschel.

A postura positiva de Laurinda, mãe de Gabriela, foi determinante no desenvolvimento da filha. Gabriela deu os primeiros passos sozinha aos 2 anos e 8 meses. Na infância, tinha medo de água e de andar de bicicleta. Afogava-se na piscina, mas pulava de novo até aprender a nadar. Ao andar de bicicleta, caía. Ralava as pernas. Subia de volta e pedalava. Apesar dos hematomas que ganhava nas aulas de judô, lutou para chegar à quarta faixa. Gabriela resistiu aos golpes – e revidou –, a ponto de pendurar uma medalha no peito. Dançou balé. Foi rainha de bateria de escola de samba e tocou tamborim numa ala dominada por homens. Gabriela fica indignada por não dirigir. “Se todo mundo pode, por que eu não posso?”, diz.

Em Socorro, cidade do interior paulista onde vive, ela é mais popular que o prefeito. Todo mundo conhece um pouco de sua história.

http://revistaepoca.globo.com/

Autor: Revista Época - Ed. Globo
Data: 28/10/2008

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