
De Elisa Lucinda
Choram meus filhos pela casa
fraldas colos fanfarras
Meus filhos choram querendo talvez meu peito
ou talvez o mesmo único leito que reservei pra mim
Assim aprendi a doar
com o pranto deles
Na marra aprendi a dar mundo a quem do mundo é
A quem ao mundo pertence e de quem sou mera babá
Um dia serei irremediavelmente defasada, demodê
Meus filhos berram meu nome função
querendo pão, ternura, verdade e ainda possibilidade de ilusão
Meus filhos cometem travessuras sábias
no tapa bumerangue da malcriação
Eu que por eles explodi buceta afora afeto adentro
ingiro sozinha o ouro excremento desta generosidade
Aprendo que não valho nada em mim
Que criar pessoa é criar futuro
não há portanto recompensa, indenização
mesquinhas voltas, efêmeros trocos.
Choram pela casa e eu ouço sem ouvidos
porque meus sentidos vivem agora sob a égide da alma
Chupetas punhetas guitarras
meus filhos babam conhecimentos da nova era
no chão de minha casa.
Essa deve ser minha felicidade.
Aprendo a dar meu eu, aquilo que não tem cópia
tampouco similar
E o tempo, esse cuidadoso alfaiate, não me conta nada
Assíduo guardador dos nossos melhores segredos
sabe o enredo da estória
Vai soprando tudo aos poucos e muito aos pouquinhos
Faz eu lembrar que meu pai também já foi pequenininho
Que só por ele ter podido ser meu ontem
Só por ele ter fodido com desesperado desejo minha mãe
um dia eu existi.
Choram meus filhos pela Nasa onde passeamos planetas e reveses
Eu escuto seus computadores, eu limpo suas fezes
faço compressas pra febre, afirmo que quero morrer antes deles
assino um documento onde aceito de bom grado
lhes ter sido a mala o malote a estrela guia
Um dia eles amarão com a mesma grandeza que eu
uma pessoa que não pode ser eu
Serão seus filhos suas mulheres seus homens
Eu serei aquela que receberá sua escassa visita
Não serei a preferida.
Serei a quem se agradece displicente
pelo adianto, pela carona
de poderem ter sido humanidade.
Choram meus filhos pela casa
Eu sou a recessiva bússola
a cegonha a garça
com um único presente na mão:
Saber que o amor só é amor quando é troca
E a troca só tem graça quando é de graça.
Muitos pais se gabam de terem acostumado muito bem os filhos a dormir bem cedo, de modo a ficarem livres para saírem à noite.
A cama ideal é aquela onde as crianças podem movimentar- se livremente, diferente do berçoque possui uma forma de beleza e morbidez, diferente da cama dos adultos, feitas para as pessoas se estenderem e dormir comodamente. O berço é uma gaiolade ferro na qual os pais fazem baixar a criança sobre um colchão forçosamente alto, de modo que os adultos consigam manipulá- lo sem incômodo de inclinar- se, onde o pequenino ficará abandonado e poderá chorar, mas não se machucará.
O ambiente é escurecido de forma que a luz, mesmo com o raiar do dia, não penetre para acordar a criança.
Uma primeira forma de auxílio à vida psíquica da criança éa reforma da cama e dos hábitos relativos ao prolongado sono induzido e não natural. A criança deve ter o direito de dormir quando sente sono e levantar- se quando quiser. Para isso, recomendamos - e muitas famílias já adotaram - a abolição do clássico berço infantil e sua substituição porum colchão bem baixo, quase rente ao chão, onde a criança possa deitar- se e levantar- se à vontade.
A cama pequena e baixa, quase rente ao chão, é econômica, como também todas as alterações que ajudam a vida psíquica da criança, pois ela necessita de coisas simples - e as poucas coisas que existem especialmente para elas são, na maior parte dos casos, complicadas quase a ponto dekhe dificultarem a vida. Essa forma foi efetuada por numerosas famílias que colocaram um colchão sobre o piso forrando com ampla coberta. Então as crianças vão deitar- se espontaneamente a noite, alegres, e levantam- se de manhã sem acordar ninguém. São exemplos que demonstram realmente a existência de um profundo engano nas normas impostas às crianças e que o adulto fatigado, e querendo fazer o bem à criança, age contra as necessidades dela, seguindo - talvez inconscientemente - seus instintos de defesa que poderiam ser facilmente superados.
Deste conjunto de fatos, resulta que o adulto deve procurar interpretar as necessidades da criança, afim de acompanhá- la e assisti- la com seus cuidados, preparando- lhe um ambiente adequado. Só assim, é possível dar início a uma nova era na educação: a do auxílio à vida. E, só assim, poderá, afinal, encerrar- se a época em que osadultos consideravam a criança pequena um objeto quese apanha e se transporta para qualquer lugar e, depois de crescida, deve apenas obedecer e seguir os adultos. É necessário que o adulto se convença a manter- se numa posição secundária e se esforce para compreender a criança, no intuito de tornar- se seu companheiro e auxiliar- lhe a vida. Eis a orientação educativa no quese refere às mães e a todos os educadores que se aproximam da criança. Se a personalidade da criança deve ser educada em seu desenvolvimento e ela é mais fraca, torna- se necessário que a personalidademais forte do adulto se faça passiva e, recebendo e seguindo a orientação que a própria criança lhe oferece, considere uma honra poder compreendê- la e segui- la.
(Maria Montessori, A criança)
Beatriz Rosenberg
Não existe dúvida: as crianças vêem televisão. As crianças vêem muita televisão. Mais do que ver, as crianças gostam da televisão.
Antes de verificar por que elas gostam tanto, vamos saber quantas horas uma criança passa na frente da televisão.
De acordo com Flávio Ferrari, diretor executivo do Ibope Mídia (1), as crianças e jovens brasileiros, até 17 anos, assistem em média, a 3.5 horas de televisão por dia.
Usando um pouco de matemática, podemos concluir que:
Uma criança brasileira, se começar a ver televisão com 1 ano e assistir a 3.5 horas por dia, totalizará:
- 24.5 horas por semana
- 98 horas por mês
- 1.176 horas por ano
- 18.816 horas até os 17 anos de idade
- 1176 dias de televisão (calculando um dia de 16 horas)
* Ao fazer 17 anos, um jovem passou quase 3 anos e meio da vida dele vendo televisão!
Uma outra questão interessante é saber como as crianças usam o tempo delas. O que elas preferem? Brincar ou ver tv? Antes de ver o gráfico abaixo, feche os olhos e pense nos seus filhos. Como eles usam o tempo livre? Brincando? Dormindo? Vendo televisão? O tempo livre de hoje é utilizado da mesma maneira que há dois anos? Pensou?
Agora veja esta pesquisa que compara dados de 1981 e 1997:
|
Atividade
|
1981
|
1997
|
|
Dormir
|
1º.
|
1º.
|
|
Escola
|
2º.
|
2º.
|
|
Brincar
|
3º.
|
4º.
|
|
Ver tv
|
4º.
|
3º.
|
Como se pode perceber, nos Estados Unidos, depois de dormir e ir à escola, o que mais consome o tempo das crianças é ver televisão. Esta inversão de lugares entre brincar e ver tv demonstra que, gradualmente, as horas de lazer estão sendo ocupadas pela mídia. Observe que esta é uma decisão que as próprias crianças estão tomando. A televisão não faz parte da lista de obrigações infantis como escovar os dentes ou ir à escola.
Desde o começo da era da televisão, foram realizadas pesquisas, tanto na Europa quanto na América do Norte, tentando entender o fenômeno. Por que as crianças (e os adultos também) gostam tanto de assistir televisão? Quais são as expectativas, que sentimentos são despertados, por que passamos tanto tempo em frente à telinha? Os acadêmicos têm um nome para as teorias levantadas. Eles pesquisam os “usos e gratificações” que o público obtém através da mídia. Saber o que faz com que o espectador se sinta satisfeito com um determinado programa e, portanto, volte a assisti-lo, é importante tanto para quem produz, como para quem estuda a mídia.
Os autores Barry Gunter e Jill McAleer (2), no livro “Children & Television”, não fizeram uma única pesquisa, mas reuniram os trabalhos que foram realizados desde a década de 50 à década de 90, nos países do hemisfério norte. Cada uma destas investigações tem grande mérito na difícil tentativa de compreender como as crianças se relacionam com o meio e por que assistem à televisão. A partir do livro “Children and Television” organizei os resultados de algumas pesquisas diferentes, e cheguei a uma relação de nove razões básicas, citadas pelas crianças como motivadoras do ato de se sentar à frente da telinha. Foi um trabalho interessante, o de reunir resultados obtidos em metodologias que, nem sempre, tinham pontos em comum. Procurei os grandes tópicos, que pudessem englobar sentimentos comuns.
Antes de chegar à lista, quatro observações. Primeiro, de acordo com Gunter e McAller, os motivos que as crianças mais citaram foram passar o tempo, relaxar e “se divertir”. Não destaquei o quesito “divertimento” porque ele está presente em quase todos os outros itens, sendo o sentimento gratificante que nos dá prazer e nos faz repetir hábitos no nosso consumo de televisão.
Segundo, “babá eletrônica” é um dos motivos pelos quais as crianças vêem TV, embora não se possa dizer que seja uma opção propriamente infantil.
Terceiro, os motivos não são excludentes e, em geral, variam conforme o momento e o estado de espírito da criança.
A seguir, a relação de nove razões básicas para ver televisão:
1. Passar o tempo/ hábito de ligar o aparelho. Este motivo, o mais alegado pelas crianças, é, em geral, fruto de um hábito adquirido ao longo da vida. Na falta de uma atividade programada para fazer, ver televisão é provavelmente a alternativa mais à mão. Não exige treinamento, planejamento, esforço ou equipamento especial. Muitas pessoas (e crianças) ligam a televisão em um movimento automático ao entrar na sala ou no quarto. Sentar na frente do aparelho completa o gesto. Outras, quando não têm nenhuma obrigação, se entregam com passividade ao meio, embora não haja nenhum programa que as interesse disponível naquele horário. Nos dois casos, as crianças não estão realmente escolhendo a televisão. Estão apenas não-escolhendo as outras atividades.
2. Escapismo. Quem nunca teve vontade de viver uma perigosa aventura ou um grande romance? Que tal matar a vontade vendo TV? Nós podemos fazer isto via televisão! O meio nos dá todos os recursos necessários para viver perigosamente ou intensamente, sem levantarmos, como se diz, da “poltrona”. Filmes de aventura, romances, desenhos animados, vida animal e mil outros programas nos tiram da “poltrona” sem nenhum esforço ou movimento. Assim, literalmente, escapamos do dia-a-dia. As crianças afirmaram que gostam de ver televisão quando o dia está “chato”, quando estão aborrecidas, tristes ou preocupadas. Embora histórias, reais ou ficcionais, envolvendo pessoas, animais, monstros, etc, não consigam resolver um problema que a criança tenha, pelo menos ajuda a distraí-la. Um sentimento dominante de ansiedade ou angústia pode ser esquecido, pelo menos momentaneamente. Por outro lado, se o telespectador mirim estiver entediado, assistir a um programa que gosta muito pode realmente melhorar o espírito e fazer de um dia mediano, um bom dia.
Para a criança, assim como para o adulto, a mídia é a possibilidade de participar de mundos diferentes, onde se fica entretido e interessado, sem se lembrar da realidade. Por um determinado período de tempo, a televisão traz conforto, segurança e divertimento. Crianças que levam vidas especialmente difíceis, como as que são vítimas de violências doméstica ou as que têm baixo rendimento na escola, costumam usar a televisão como fonte de esquecimento com mais freqüência que as outras crianças. Usar a TV para escapar é muito satisfatório porque desperta sentimentos que relacionados ao prazer de sair de si mesmo e penetrar um universo que não nos pertence, mas que nos agrada e envolve.
3. Companhia. Uma situação comum é a de crianças que ficam em casa sozinhas. Às vezes, estão realmente desacompanhadas. Outras vezes, os adultos estão em casa, mas tão ocupados com suas tarefas que não dão atenção aos pequenos. O sentimento de solidão provocado pelo isolamento faz com as crianças procurem na TV um companheiro.
Embora nem todos os adultos consigam visualizar a televisão como um “substituto de relacionamentos” esta é uma função utilizada com freqüência, não apenas por crianças, mas – de acordo com relatos – por adultos, principalmente os de 3ª. idade.
Não só muitas pessoas usam a televisão como companhia, mas também, muitas vezes os personagens de programas são confundidos com pessoas reais pelos telespectadores. É comum encontrar notícias em jornais ou revistas de atores que são agredidos na rua por personificarem papéis de vilão. As crianças são especialmente vulneráveis, confundindo com freqüência ficção e realidade. Quando um apresentador de programas infantil ou um personagem aparece com freqüência na tela, os menores acreditam que o ator ou apresentador faz parte da vida cotidiana deles.
E para aumentar ainda mais esta sensação de familiaridade, os apresentadores usam uma técnica de falar diretamente para a câmera. Esta conversa “olhos nos olhos” é um recurso utilizado para criar um clima de intimidade, cujo objetivo é passar a mensagem de que “eu estou pertinho de você, sou seu amigo e companheiro”. Nem todos os atores são bem sucedidos na tentativa de se aproximarem da criança. Alguns, como a Xuxa, têm um talento natural que os torna íntimos da câmera. A apresentadora tem tamanho impacto nas crianças que o ser humano e o personagem às vezes se confundem. Estreou na década de 80 na antiga TV Manchete e em 1985 foi para a Rede Globo onde aperfeiçoou seu estilo alegre, colorido e divertido. Atualmente, apresenta um programa na Globo, dirigido a pré-escolares, com evidentes propósitos educativos e nenhum traço da erotização precoce que a caracterizou no passado. Quando a técnica “olhos nos olhos” funciona, cria-se um grande nível de proximidade entre o espectador em casa e o apresentador. A criança acredita que conhece intimamente o personagem como conhece a mãe ou o vizinho. E sente que aquela pessoa na tela da televisão também a conhece em profundidade e confia nela.
Nem todos os “personagens-apresentadores-íntimos” ensinam nossos filhos valores nos quais acreditamos. O impacto deste tipo de técnica de comunicação pode ser forte nas crianças, que ainda não terminaram de desenvolver sua percepção do mundo e sua personalidade. O “personagem-íntimo” pode ter uma influência significativa em termos de ética de vida, expectativas, hábitos de consumismo e etc. Por isto, é importante olhar cuidadosamente quem é esta pessoa que entra dentro da nossa casa, através da tela da televisão.
4. Aprender sobre “as coisas”. Uma outra razão mencionada pelas crianças para ver televisão é que os programas são escolhidos porque ajudam a compreender como o mundo funciona. Existem infinitas informações fascinantes sobre pessoas, lugares, músicas, comidas que as escolas não ensinam, mas a televisão sim. A criança, em fase de descoberta de como as coisas funcionam e se relacionam, se diverte enquanto aprende. Com recursos da tecnologia, através de sons, imagens e movimentos, seu filho assiste a programas que mostram como os bichos se alimentam, como fazer um carrinho de uma caixa de fósforos, como vivem as pessoas no Alasca ou como se faz um guarda-chuva. Infelizmente, poucos programadores de emissoras de televisão percebem o interesse das crianças por informações variadas. Se o conteúdo for apresentado de forma atraente, acessível, e condizente com a faixa etária o público mirim responde com entusiasmo.
O canal infantil a cabo Discovery Kids é um exemplo bem sucedido de programação que “ensina sobre as coisas”. Eu já assisti a séries como “Artemania”, cujo objetivo é desenvolver a criatividade e habilidades manuais das crianças, através de exercícios e brincadeiras. O apresentador Neil Buchanan ensina atividades fáceis para serem realizadas em casa, fala (e mostra) de artistas famosos, museus, etc. e acrescenta brincadeiras que dão leveza ao programa.
Um outro bom programa do Discovery Kids é Zoobumafoo. Dois atores e uma lêmure se revezam na tarefa de misturar palhaçadas e confusões com informações interessantes sobre os animais. Um episódio que vi e gostei especialmente mostra as diferentes carapaças que os bichos têm: tartarugas, porco-espinho, tatus, etc.
Programas que têm este tipo de formato, com uma linguagem divertida e adequada para crianças, que entretêm e ensinam ao mesmo tempo, são caros e difíceis de serem produzidos. Exigem talento artístico, consultoria científica e pedagógica especializada, dinheiro e tempo para pensar e corrigir a série. Por outro lado, como são programas atemporais – ou seja, não mencionam fatos de atualidade – podem ser reprisados infinitamente para diferentes gerações. A televisão comercial brasileira ainda não descobriu que este filão, explorado quase exclusivamente pelo canal pago Discovery Kids e pela TV Cultura de São Paulo, pode ser ao mesmo tempo lucrativo para as emissoras e construtivo para as crianças e seus pais.
5. Aprender “sobre si mesmo”. Como vimos no item anterior, muitas crianças vêem televisão porque aprendem “sobre as coisas”. Porém, outras disseram que aprendem, não sobre as coisas, mas sobre si próprias. É surpreendente que pessoas de tão pouca idade percebam esta utilidade na mídia. Quando questionadas, mencionaram programas de ficção e documentários. Em ambos os casos a possibilidade de verem outras crianças na tela funciona como uma espécie de espelho. Ao se verem refletidos entendem melhor o que estão vivendo ou sentindo.
No exemplo a seguir, temos um programa de ficção que traduz com humor e sabedoria um problema bastante comum entre adolescentes: beijar na boca pela primeira vez. “Confissões de Adolescente” é uma premiada série de ficção da TV Cultura de São Paulo e da Dez Produções, de 1994. Baseada na peça teatral escrita por Maria Mariana, a história retrata quatro irmãs crescendo na zona sul do Rio de Janeiro. Com idades que variam entre 13 e 19 anos, as meninas vivem os problemas e as descobertas típicos da adolescência, com muito humor e uma boa dose de ousadia. O episódio “O Primeiro Beijo” conta a história da irmã de 16 anos que não conseguia beijar pela primeira vez e da irmã mais nova, de 13 anos, que, com a maior facilidade beijou numa brincadeira entre amigos. Este capítulo recebeu o primeiro prêmio no prestigiado festival alemão, Prix Jeunesse (3), em 1996. Embora a série seja centrada nas meninas, os meninos são “capturados” porque os programas mostram como as meninas se sentem e se relacionam com eles.
As séries de ficção são especialmente eficientes quanto têm uma definição bem clara sobre a faixa etária a que se destinam. A animação canadense “Doug” é uma outra série cujo personagem principal é um menino de aproximadamente 12 anos, apaixonado por sua melhor amiga, Patty, e que sempre se mete em confusão. Uma das maneiras que ele usa para sair das trapalhadas é imaginando a si mesmo como um super-herói, o Homem Codorna. Além de seus amigos da escola, Doug tem um cachorro chamado Costelinha que o acompanha em todas as aventuras. Navegando pela Internet, casualmente encontrei o seguinte depoimento, registrado num blog (4) em 20 de setembro de 2003 (originalmente transcrito):
“Desenhos que mudaram a minha vida. Por: Da Vala Aki por diante colocarei semanalmente desenhos que foram fundamentais em cada momento da minha vida e em meio a tantos desenhos memoráveis me veio à mente Doug, eu comecei a vê-lo quando era apenas um menino gordo e feio que me amava alem da minha mãe eu tinha 8 anos incompletos e Doug era meu único amigo; suas historias tornavam meus dias mais excitantes sem falar no costelinha que era meu ídolo, lembro-me também do Homem Codorna, ah, Homem Codorna esse sim era um herói de verdade, e o Skeeter ele era muito legal. Enfim, Doug e suas historias marcaram muito minha vida, Doug ainda (AQUI ENTRA UM SÍMBOLO DO C COM RODELINHA = COPYRIGHT, CREIO) transmitindo pelo Disney Cruj sábado de manhã.”
Este depoimento mostra como a televisão é importante e ajuda às crianças a lidar com suas próprias dificuldades. Os programas que são os mais “gostados” são aqueles que fazem uma diferença e “marcam a gente para o resto da vida”. Provavelmente, se você investigar o seu passado, vai encontrar os programas que o marcaram para sempre… Da minha vida, me lembro do encantamento que sentia ao assistir uma série de histórias clássicas, como Rapunzel, O Rouxinol, etc., apresentados por uma Shirley Temple adulta, vestida de fada em branco e preto, no começo da década de 60.
Embora não exclua outros tipos de programa, a criança se interessa muito por aquilo que é “igual ou parecido” com ela. Assistindo às séries que usei como exemplos - Doug, Confissões de Adolescentes e outras - seus filhos vão se divertir, mas também vão compreender num pouco mais sobre como é crescer numa sociedade ocidental no século XXI. Provavelmente entenderão que não estão sozinhos e que os sentimentos, sejam de dificuldades ou alegrias, são partilhados por outros meninos e meninas da mesma idade. Assim, cenas de ciúmes com o irmão mais novo, acessos de timidez frente ao sexo oposto, preguiça de estudar, e muitas outras ações e emoções são repercutidas nestes programas. Nem todos os programas de ficção ou documentários têm um enfoque positivo, portanto, fique atento às escolhas de seus filhos.
Os documentários têm a vantagem de retratar crianças verdadeiras em vidas reais. Para nossos filhos esta é uma oportunidade de aprender e observar o que outros meninos e meninas dizem, fazem e sentem e estabelecer parâmetros de comparação. A televisão brasileira, tanto a aberta quanto a fechada, mostra pouquíssimas crianças que não sejam “glamourizadas”, portanto, ao encontrar um programa que dê voz aos mais jovens aproveite para assistir. O apresentador Sérgio Groisman, atualmente na Rede Globo, é um dos poucos profissionais de TV que têm uma carreira consistente. Desde a época em que apresentava o programa “Matéria Prima”, na rádio Cultura de São Paulo, Serginho tem participado de produções – primeiro na TV Cultura, depois no SBT e atualmente na Globo – onde o jovem “comum” tem espaço na mídia e pode dizer o que pensa. Este é um momento raro na televisão e deve ser valorizado!
6. Tema de conversa. Na medida em que todo mundo assiste aos mesmos programas, a televisão se transforma em um mundo comum de referências para crianças, adolescentes e adultos. Do ponto de vista infantil, quem não acompanha as exibições televisivas fica “por fora”, sem poder participar das conversas e brincadeiras que usam a mídia como base. Durante a década de 80, o SBT exibiu a novela infantil “Carrossel”. De produção mexicana, mas re-gravada com atores brasileiros conta a história de crianças, algumas pobres, outras ricas, umas brancas, outras negras, que estudam na mesma escola, onde co-existem a diretora muito-muito má e a professorinha muito-muito boa. Enfim, uma novela de estereótipos e um sucesso de público. Carrossel marcou época porque as crianças conheciam as tramas, os personagens e se envolviam completamente na história. Entre os mais jovens, é natural a escolha de atrações idênticas. Porém, por volta dos 7 ou 8 anos começa a haver uma distinção por sexo. As meninas preferem ver programas com personagens femininos e os meninos escolhem desenhos animados de lutas e aventuras.
Através do método “boca a boca” (5) as crianças se influenciam mutuamente e conseqüentemente, participantes de cada grupo social tendem a assistir aos mesmos produtos na televisão.
As milionárias campanhas de lançamentos de programas como novelas e desenhos animados, também garantem que a maioria da população está literalmente conectada no mesmo canal. Quando um programa tem grande audiência passa a ser assunto entre as pessoas. Um dos motivos levantados pelos jovens e crianças pesquisados foi exatamente “eu vejo televisão para poder conversar com meus amigos”.
Realmente, na atualidade, não ver televisão é considerado tão estranho quanto não ir à escola. No dia-a-dia, os programas ganham importância por criarem um universo comum de experiências que serve como assunto a ser discutido em salas de aula, encontros sociais, etc. As crianças também imitam os personagens da tela e re-inventam lutas e brincadeiras a partir de seus programas favoritos. Portanto, uma criança que deixa de assistir a um programa popular, provavelmente vai ficar excluída do grupo.
7. Babá eletrônica. Esta razão é mais mencionada pelos adultos e existe desde os primórdios da televisão. Usar a mídia como babá eletrônica é um ato tão comum que a expressão até faz parte do nosso vocabulário cotidiano. Quando estamos ocupados ou cansados de inventar diversões e entretenimentos, quando a criança já tomou banho, já leu livros, já brincou com seu brinquedo favorito, e todas as alternativas foram esgotadas, ligamos a televisão. Se possível, localizamos algum programa colorido e movimentado, e “depositamos” o filho ou a filha na frente do aparelho. As crianças ficam quietas, entretidas, controladas e os adultos podem se ocupar de outras coisas. Existem séries de boa qualidade – que você poderá selecionar ao terminar de ler este livro – e a “babá eletrônica” pode ser usada criteriosamente.
8. O prazer da fantasia. A fantasia tem uma função muito importante no desenvolvimento da criança. Muitas vezes, o crescimento se dá primeiramente no plano da fantasia, pois meninos e meninas têm a oportunidade de experimentar situações correspondentes à realidade. Através da fantasia, a criança se envolve com personagens e histórias e se entretém lidando com os problemas dos outros. Também, através da fantasia a criança aprende que existem eventos em seqüência, e que, embora os heróis tenham que enfrentar muitos obstáculos, em geral, o final é feliz, o “bem” sempre vence e que ela pode confiar no futuro.
Neste sentido, a televisão, assim como outras formas de histórias (livros, histórias noturnas, etc), abre espaço para a criança recriar realidades e usar a imaginação ativamente para lidar com estas realidades, sem correr os riscos da vida real.
9. Estímulo emocional. Um outro item mencionado por muitas crianças é que assistir a certos programas de tv “dá medo” ou “me faz chorar” ou ainda “fico nervoso querendo saber o que vai acontecer”. Assim como os adultos, as crianças gostam de se sentir estimuladas por desafios e emoções. Vivenciar uma aventura, um perigo ou um mistério é extremamente gratificante. Porém, cada pessoa tem seu próprio limiar confortável de estímulo. Para alguns jovens, andar numa montanha russa é um pesadelo. Para outros, um grande prazer. A mesma situação se repete com a TV. Geralmente, as crianças escolhem programas nos quais o estímulo é sentido como seguro, dentro dos limites, com a possibilidade de trocar de canal ou desligar o aparelho se a emoção se tornar perturbadora.
Os estímulos que a TV oferece são de diferentes naturezas e atendem a uma variedade de estados de espírito. Os de horror são estimulantes por que nos permitem sentir “muito medo” sem que haja riscos reais. Os programas de mistério são excitantes porque propõem charadas a serem resolvidas. Os de suspense que nos mantêm “colados” à tela para saber o que vai acontecer e quem cometeu o crime. Os programas de perguntas e respostas desafiam nosso conhecimento e nos envolvem na ação de tentar acertar as respostas.
Os de esportes estimulam nosso sentido de competição. E ainda, há outros programas que são estimulantes porque ensinam coisas novas e revelam como o mundo funciona.
No quesito “estímulo emocional” os pais devem observar se os sentimentos que a televisão desperta em seus filhos não são desconfortáveis ou exagerados. De acordo com o desenvolvimento emocional da criança, as emoções da mídia podem gerar medo, confusão e dar uma visão distorcida de como a sociedade se organiza. É importante que os estímulos sejam, não apenas adequados à maturidade de seus filhos, como também verdadeiramente prazerosos.
CADA IDADE TEM SEU SEGREDO…
Como as crianças vêem televisão de acordo com a idade.
Para que a criança desfrute plenamente do programa de televisão que está assistindo, é preciso que ela tenha a capacidade de acompanhar e entender o que está acontecendo. Esta capacidade se modifica conforme a criança cresce. A atenção dedicada ao programa, a habilidade para reconhecer personagens, a distinção entre realidade de fantasia, são algumas competências que ela vai adquirir ao longo do tempo.
O levantamento das características de cada idade, que apresento a seguir, foi baseado em diferentes pesquisas feitas no Canadá, no Japão e nos Estados Unidos. As conclusões obtidas se adaptam, em linhas gerais, às crianças brasileiras. As pesquisas se referem especificamente ao comportamento infantil em relação à televisão (6):
Bebês até 2 anos: reações freqüentemente observadas em bebês na frente da TV;
* 4 – 7 meses: o bebê tem momentos de atenção, estimulados pelos sons e mudança de imagem da televisão;
* 6 – 7 meses: o bebê brinca com o botão de ligar e desligar a televisão;
* 8 – 9 meses: o bebê bate palmas, imitando a televisão;
* 12 meses: 50% dos bebês imitam os exercícios de ginástica;
* 18 – 24 meses: cantam e imitam palavras e músicas de programas e de propagandas;
Três a seis anos:
* começam a ser telespectadores mais atentos;
* procuram algum sentido no conteúdo dos programas;
* imitam aquilo que vêem e que ouvem;
* gostam de cenas movimentadas, com ação;
* gostam de levar sustos, de surpresas e de cenas de humor;
* gostam de ver o mesmo programa muitas vezes;
* sentem prazer ao perceber que controlam a situação quando já sabem o que vai acontecer e podem prever a continuação da história;
* quando o programa apresenta personagens humanos, sejam eles realistas ou fictícios, não conseguem distinguir o que é real do que é fantasia (não identificam a função do ator);
* se sentem ameaçados pelo que vêem na televisão – podem tanto ter medo de um monstro, quanto de um acidente de automóvel visto em telejornal;
* percebem a diferença entre desenho animado e gente real;
* sabem que nos desenhos animados os personagens não se machucam de verdade;
* não reconhecem a diferença entre programas e comerciais;
* as meninas gostam de histórias com famílias;
* os meninos gostam de programas de ação que eles possam imitar e usar nas brincadeiras com amigos;
Sete a dez anos:
* reconhecem a diferença entre realidade e fantasia, mas ainda estão sujeitos a se impressionar por cenas fortes por não terem uma perspectiva formada do mundo que os cerca;
* não têm noções abstratas de tempo e espaço completamente formadas. Não reconhecem que alguns dos acontecimentos mostrados não acontecem com freqüência, se sentem ameaçados, por exemplo, por notícias de telejornal;
* substituem o medo do monstro pelo medo de acontecimentos reais como seqüestros, enchentes, etc. que assistem na televisão e, temem que possam acontecer com eles;
* desenvolvem maior capacidade de se concentrar na televisão;
* conseguem seguir histórias mais complexas e prever o que vai acontecer, sem que já tenham visto o programa;
* começam a se interessar por programas de adultos;
Pré-adolescentes e adolescentes:
* já desenvolveram plenamente a capacidade de abstração e pensamento lógico;
* tendem a ver menos televisão com a família e mais sozinhos ou com amigos;
* realizam mais de uma atividade enquanto assistem à televisão: fazer lição de casa, falar ao telefone, usar a Internet, jogar no computador;
* são mais influenciados pelos padrões de comportamento e consumo propostos pela televisão.
Gunter, Barrie e McAleer, Jill. Children and Television. Routledge, Londres e Nova Iorque, 1997.
www.talkingwithkids.org
www.cca-canada.com/tvandme

Tabus e vergonha ainda impedem a denúncia do abuso sexual
O abuso sexual é cercado de tabus, de vergonha e de silêncio. Calam-se as meninas e meninos agredidos, suas famílias, professores que suspeitam de violência sexual, profissionais de saúde que atendem essas crianças em postos e ambulatórios, vizinhos e parentes. Esse silêncio, quando ocorre, ajuda a perpetuar o abuso e deixar ainda mais traumas na criança, evitando que ela seja ajudada. “É preciso denunciar, as pessoas não podem ficar caladas diante de tamanha brutalidade. Essas crianças estão tendo sua infância roubada, suas vidas invadidas e nada pode ser pior que isso”, alerta a coordenadora do Sentinela, Lorena Ribas Hernandez. O Sentinela é destinado ao atendimento de crianças e adolescentes vítimas de violência e abuso sexual.
“Muitos abusadores acham que a criança vai crescer e esquecer o que aconteceu. No entanto, se ela não for tratada nunca vai ter uma vida sexual saudável e, na maior parte dos casos, passa a ser um agressor também”, salienta. É muito difícil traçar o perfil de um abusador, mas, na maioria da vezes, segundo especialistas e estudiosos do assunto, são pessoas que também sofreram algum tipo de abuso na infância.
“O abuso existe desde que o mundo é mundo, mas, agora, mais do que nunca, precisa ser denunciado”, frisa. Conforme Lorena, em Joinville, os profissionais da saúde e da educação estão começando a compreender que não podem ficar calados diante de uma suspeita. “Depois das mães, são os professores que têm o maior vínculo com a criança e, às vezes, é para eles que a crianças resolvem contar ou apenas dar sinais de que algo está errado. E o professor tem o dever de fazer a denúncia”, diz.
A psicóloga Maria Inês Ribeiro, que também faz parte da equipe do Sentinela, lembra que é preciso orientar os filhos desde cedo sobre as questões que envolvem a sexualidade, evitando a erotização precoce. “Quando duas crianças da mesma idade estão descobrindo o próprio corpo, não é nada de anormal. Uma conversa amiga, e tudo está resolvido. Anormal é alguém mais velho usar da inocência de um pequeno para obter prazer”, argumenta.
Sistema ineficaz dificulta combate
Um dos problemas que acaba dificultando o enfrentamento do abuso sexual no País é a falta de um sistema eficaz de registro, encaminhamento e acompanhamento de denúncias. De acordo com a coordenadora do Comitê Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes, Neide Castanha, os casos não são totalmente conhecidos e nem contabilizados pelo governo. Além disso, o trabalho dos conselhos tutelares, delegacias especializadas, hospitais e varas da infância e juventude é desarticulado.
“Não há registros de quantos casos deixam de ser notificados por desconhecimento da lei, por exemplo, e nem daqueles que são registrados, mas não foram solucionados”, afirma. Uma pesquisa feita com crianças e adolescentes vítimas de violência sexual atendidas no hospital infantil da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) mostrou que os profissionais que trabalham nas emergências e ambulatórios não são especializados e, por isso, não atendem aos pacientes da forma adequada.
A autora do estudo, Ana Lúcia Ferreira concluiu que o ideal seria que o primeiro atendimento fosse prestado por um pediatra, enfermeiro, assistente social ou psicólogo bem treinado. “Algumas crianças só contam o que ocorreu na primeira vez em que é perguntada, depois, se retrai. Daí a importância de ser um profissional preparado para essa situação”, disse Ana Lúcia. “Tem muito gente que recebe o atendimento ambulatorial e nunca mais volta”, lamenta. Ana Lúcia também é pesquisadora da Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp), da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz)(GR)
Ameaça impede ação de vítima
Mudanças de comportamento podem indicar abuso
Paula (nome fictício) tinha apenas oito anos quando os abusos começaram. O pai iniciou o assédio progressivamente. Primeiro com carícias no corpo da menina, depois, exposição de revistas pornográficas, manipulação e exposição dos órgãos genitais. Com o tempo, a menina foi obrigada a praticar sexo oral com o pai, até chegar ao estupro. O tempo todo, os abusos eram acompanhados de ameaças de espancamento e morte, dirigidas à mãe de Paula.
Durante dois anos, Paula sofreu calada, num mundo de medo e pavor. Como a mãe trabalhava o dia todo e freqüentava a igreja à noite, era o pai, afastado do trabalho por invalidez, que tomava conta dos filhos e da casa. Neste período, a menina apresentou distúrbios de comportamento e problemas de saúde que levaram á internação hospitalar. Os sintomas, no entanto, não eram entendidos pela mãe, que pouco participava do dia-a-dia da família.
No momento em que Paula juntou forças para contar o que estava acontecendo, a mãe foi logo buscar ajuda profissional. Assim que foi registrado o boletim de ocorrência, o pai fugiu de casa, enquanto mãe e filhos iniciaram um tratamento psicológico. Depois da separação oficial do casal, nas visitas que o pai fazia aos filhos com autorização judicial, ele apresentava um comportamento exemplar, tanto que ele e a mulher chegaram a planejar morar juntos novamente. Embora primeira sentença da Vara Criminal ter apontado o réu como culpado, ele resolveu recorrer em 2ª instância e continua mantendo sua autoridade de pai e de homem com a mulher e os filhos.
Essa história de brutalidade é real e ainda não teve um fim. O que está sendo estudado pela Vara da Infância e Juventude é a destituição do pátrio poder do pai em relação a Paula, o que deve afastar a menina também da família. Histórias como essa se repetem com uma freqüência maior do que se imagina em muitos lares joinvilenses. Atualmente, o Programa Sentinela atende cerca de 80 crianças e adolescentes de dois a 18 anos, que viveram situações semelhantes. E, pasmem, 91,8% dos abusos são cometidos por pessoas próximas da vítima. São pais, padrastos, avôs, tios, primos, irmãos, babás. (Genara Rigotti)
FONTE: AN CIDADE
A maconha é a droga ilegal mais usada em nosso país. Nos últimos 10 anos o consumo desta droga vem aumentando de acordo com pesquisa realizada em 10 capitais brasileiras, mostrando uma tendência de crescimento de uso na vida, uso freqüente (consumo em mais de 5 ocasiões mensais) e mesmo de uso denominado de “pesado” (consumo em mais de 20 ocasiões mensais) (GALDURÓZ, NOTO e CARLINI, 1997). Estas mudanças vem ocorrendo ao mesmo tempo que um maior número de pessoas acredita que o uso desta droga não acarreta riscos ou conseqüências prejudiciais.
Ao mesmo tempo, aparentemente os pais não tem consciência deste crescimento do uso, não apenas no Brasil como em outros países, e muitos acreditam mesmo que esta droga não constitui uma grave ameaça a seus filhos. Porém os pais têm que reconhecer que esta é uma verdadeira ameaça ao desenvolvimento de seus filhos e necessitam adverti-los para não usarem. Torna-se fundamental que conversem com seus filhos sobre as drogas enquanto ainda são pequenos, porém nunca é tarde para que os filhos sejam alertados para os possíveis perigos do consumo.
A Secretaria Nacional Antidrogas, subordinada ao Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, atentando para este aspecto, estabeleceu um convênio com o National Institute on Drug Abuse (Instituto Nacional sobre o Abuso de Drogas) do governo Norte Americano, com a finalidade de disseminar conhecimentos científicos adequados para a população brasileira. Este folheto é fruto desta iniciativa com a finalidade de informar os pais sobre o crescimento do consumo desta droga e as possíveis conseqüências do uso da maconha na saúde dos jovens e sobre a necessidade de medidas urgentes para evitar que uma epidemia do consumo desta droga venha a ocorrer, principalmente em nossa população adolescente.
SECRETARIA NACIONAL ANTIDROGAS
Next Page »