COMO TRANSPORTAR e DOAR LEITE MATERNO ?

December 1, 2008 by danielle  
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Do seio da ama-de-leite moderna até a boca de um bebê necessitado,
o alimento perfeito salva vidas e percorre o comovente caminho da solidariedade

Tirando o leite


Giovana amamenta o filho, Marcos Vinícius, em casa

Preenche cuidadosamente as etiquetas para identificar os frascos que acondicionam o leite



Lava bem as mãos, coloca touca e máscara



Faz a ordenha manual das mamas em um pote previamente esterilizado


Despeja o leite em um outro pote, no qual vai juntando o conteúdo que consegue extrair a cada vez
Guarda o vidro no freezer

A publicitária e artesã Giovana Koshiyama, 30 anos, é um mulherão. Tem seios fartos, ossos largos. Comunicativa, distribui sorrisos por onde passa. A dona de casa Verônica Cavenagui Campos, 19 anos, tem o estilo oposto. É miúda, delicada e econômica nas palavras. Por força da solidariedade e de um capricho do destino, os filhos dessas duas mulheres, de modos tão diferentes, acabaram unidos pelos laços da fraternidade: Marcos Vinícius e Robson se tornaram irmãos de leite.

Giovana deu à luz Marcos Vinícius em novembro do ano passado, em São Paulo. O parto foi uma cesariana, na 40a semana de gestação. Com muito leite, o desconforto a obrigava a esvaziar os seios depois de amamentar. Eu jogava o leite pelo ralo e me sentia muito mal, lembra a artesã, que já pensara sobre a doação durante a gravidez. Eu dizia a mim mesma que, se pudesse, eu doaria, conta.Quando o filho fez 1 mês, ela decidiu não desperdiçar nem uma gota a mais do alimento tão importante.

Prematuro
Robson, filho de Verônica, nasceu no dia 9 de maio, prematuramente. Ela estava na 32a semana de gestação e teve pré-eclâmpsia. O frágil menino, de 1,5 quilo, sobreviveu graças ao fornecimento do banco de leite da Maternidade Estadual Leonor Mendes de Barros, em São Paulo. Com certeza, o garoto estaria sendo nutrido também se recebesse o alimento artificial. Mas só o leite humano protege, com seus anticorpos, e reduz o risco de alergia alimentar, que seria muito delicado para um prematuro, diz Joana Kuzuhara, supervisora-geral do banco de leite da maternidade, um dos 46 bancos do estado, que receberam no ano passado 28 mil litros, capazes de aleitar 27 mil prematuros. De fato, uma recente pesquisa americana com bebês prematuros mostra que 39% dos que sofreram infecções tinham recebido menos leite humano que os demais.

O Brasil tem a maior rede de bancos de leite humano do mundo, diz Sonia Salviano, coordenadora da Política Nacional de Aleitamento Materno, do Ministério da Saúde. A proibição da distribuição de leite humano não-tratado, em 1985, acabou com a prática da ama-de-leite, mas não com a doação. O sistema de coleta, iniciado em 1943, soma 171 bancos instalados em hospitais públicos (mais 15 devem ser abertos este ano). Em 2003, eles armazenaram cerca de 70 mil litros de leite de 66 mil doadoras, que alimentaram 101 mil crianças. Praticamente todas as mães sadias que amamentam podem doar. Do terceiro ao quinto dia do pós-parto, o peito ingurgita ou empedra, como se costuma dizer. Essa é a hora de iniciar a doação, explica Sonia. Nessa altura, as mulheres devem esvaziar as mamas, sob pena de ficarem com os seios doloridos ou sofrerem até inflamações.

Caminho do leite

Para se tornar uma moderna ama-de-leite, Giovana procurou um serviço de informação. Indicaram-lhe o Hospital e Maternidade Estadual Leonor Mendes de Barros, na Zona Leste de São Paulo, onde mora. Constatado que preenchia todos os requisitos como doadora (veja boxe), fez-se a análise do grau de acidez do leite, que determina ou não seu aproveitamento. A artesã aguardou o resultado do exame com ansiedade e ficou feliz com a aprovação. No início o marido, o administrador de empresas Marcos, estranhou, mas acabou compreendendo seu empenho e passou a apoiá-la.

Diariamente, pela manhã, depois de amamentar o filho, Giovana massageia a mama por 15 minutos e retira, sem bomba, cerca de 30 mililitros de leite do seio. O leite é depositado num vidro esterilizado e guardado na geladeira. A rotina se repete à noitinha, depois de um dia de trabalho dividido entre os cuidados com Marcos Vinícius e a confecção de enxovais de bebê, no apartamento de dois quartos na Vila Carrão - bairro paulistano de classe média. O filho, já satisfeito, costuma dormir quando a mãe faz a ordenha. Se está acordado, falo para ele esperar quietinho, que a mamãe está cuidando dos irmãozinhos de leite, diz.


A enfermeira Josefina chega para a coleta

Ela costuma entrar na casa e conversar uns minutos com Giovana

Guarda o pote em uma geladeira portátil, que precisa ser mantida à temperatura máxima de 10ºC


Coloca a geladeira dentro do carro e prossegue o itinerário, que geralmente inclui mais duas ou três visitas


Chega ao hospital que abriga o banco de leite


Entrega os potes coletados às enfermeiras do banco, que imediatamente os guardam em um grande freezer horizontal

Processamento
Uma vez por semana, a enfermeira Josefina Matiata visita Giovana. Cuida para que o meio litro de leite que a artesã extrai semanalmente seja transportado em condições adequadas até o banco. Como a refeição do prematuro é minúscula - nos primeiros dias, a porção fica em torno de 1 mililitro -, a doação de uma única mulher alimenta vários bebês. Isso justifica a coleta, a partir de uma quantidade mínima de 100 mililitros. Na maioria das localidades, os bombeiros são voluntários na condução do veículo que faz o recolhimento nas casas. No caso do Leonor Mendes de Barros, o carro foi cedido pela Ford.

No banco, o líquido doado passa por vários exames, incluindo uma análise de contaminação. Em seguida, investiga-se o teor de gordura. Depois, o leite é pasteurizado e congelado em freezer até seis meses. A doação de cada mulher é guardada separadamente e classificada segundo suas características. Separam-se colostro e leites de diferentes teores de gordura. Cada qual tem o seu cliente. Quanto maior o teor de gordura, menor a quantidade de anticorpos, explica Joana. As necessidades dos bebês variam: os que acabaram de nascer recebem o colostro; os que precisam ganhar peso tomam leite mais gorduroso; os que lutam contra infecções ingerem o alimento mais rico em defesas.

Pasteurização: o leite é aquecido a 65ºC e depois resfriado a 0ºC em banho-maria, para eliminar os microorganismos
Depois da pasteurização, uma amostra do leite é misturada a um líquido verde para checar a presença de microorganismos e a dosagem de acidez

Parabéns a Revista Crescer e a Dra. Sonia Salviano !

www.aleitamento.com


Autor: Revista CRESCER - junho de 2004
Data: 15/1/2005

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Por que devo doar leite humano? Como proceder para realizar a doação?

November 27, 2008 by danielle  
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Alguns recém-nascidos, por problemas relacionadas à sua saúde e/ou à de sua mãe, podem estar parcial ou totalmente impossibilitados de receber leite de peito. Na ausência desse precioso alimento, somos obrigados, muitas vezes, a recorrer às fórmulas lácteas; estas, além de possuírem composição nutricional qualitativamente inferior à do leite humano, não contêm anticorpos (células de defesa do organismo), fundamentais na recuperação e manutenção da qualidade de vida do pequeno ser em crescimento.

Prematuros de alto risco, recém-nascidos de muito baixo peso, com imunodeficiências ou doenças crônicas e graves, contam com um aliado importante para sua recuperação: o LEITE HUMANO. No entanto, para que tais crianças possam recebê-lo, é necessário que os Bancos de Leite Humano, dependentes de doações, recebam leite suficiente para manter seus estoques. Infelizmente, leite humano é um produto que anda em falta. Estima-se que haja um enorme desperdício do mesmo por falta de conhecimento do serviço prestado pelos Bancos de Leite Humano. Por essa razão, é importante que mães com excesso de produção láctea se disponham a doar esse importante alimento, contribuindo para a recuperação de recém-nascidos de alto risco.

O leite humano não pode ser comprado. SUA DOAÇÃO É VOLUNTÁRIA, o que torna necessário o trabalho de divulgação dos Bancos de Leite Humano. As nutrizes que produzem excesso de leite em relação à demanda de seus filhos podem procurar o Banco de Leite mais próximo de sua residência, onde serão orientadas quanto aos procedimentos para a doação, bem como quanto aos cuidados com a mama ou a possíveis dificuldades durante o aleitamento materno.

Quaisquer mulheres saudáveis, que não possuam doenças infecto-contagiosas ou outras contra-indicações para a amamentação, podem ser doadoras. Elas não são obrigadas a doar o seu leite diariamente, devendo fazê-lo apenas quando houver produção excedente. O leite coletado no domicílio será recolhido pela equipe do Banco de Leite Humano. Para mais informações, acesse o site: www.fiocruz.br/redeblh/ e encontre o Banco de Leite Humano mais próximo de sua residência.

O Estado de São Paulo possui 50 Bancos de Leite Humano em 36 municípios, sendo 17 deles no município de São Paulo.
Como colher o leite materno para doação

  1. Procurar um lugar calmo e limpo. Evitar colher em banheiros.
  2. Colocar touca cobrindo todo o cabelo.
  3. Retirar relógio, anéis e pulseiras.
  4. Lavar bem as mãos com água e sabão até a altura dos cotovelos.
  5. Lavar as mamas com água e enxugar com um pano limpo.
  6. Desprezar as primeiras gotas antes de iniciar a coleta.
  7. Colocar em frasco fornecido pelo Banco de Leite Humano ou previamente esterilizado em casa (vidro transparente com tampa de plástico, lavado e fervido em água limpa por 15 minutos, secado naturalmente, com a abertura para baixo, fechado e guardado em ambiente limpo por até 7dias).
  8. Colocar nome e data da primeira coleta no frasco.
  9. Retirar o leite de ambas as mamas até que o fluxo diminua.
  10. A melhor ordenha é a manual, pois evita traumas nas mamas.
  11. Conservar o leite congelado (usar o congelador da geladeira ou o freezer). Colocar o leite recém retirado sobre o já congelado.
  12. Fazer contato com o Banco de Leite mais próximo para que este efetue a coleta no domicílio.

OBSERVAÇÃO: O leite materno cru dura 24 horas na geladeira e 15 dias no congelador.
Como descongelar e oferecer o leite humano

  1. Colocar o leite ordenhado na geladeira se for utilizá-lo para seu próprio filho.
  2. Se for armazená-lo ou doá-lo, é necessário guardá-lo imediatamente no congelador ou freezer.
  3. Para ser oferecido à criança, o leite deve ser retirado do freezer ou do congelador e aquecido em banho-maria, sempre com fogo desligado, agitando-se o vidro lentamente para misturar seus componentes.
  4. Caso o leite esteja na geladeira (descongelado), para oferecê-lo à criança é necessário amorná-lo também em banho-maria, com o fogo desligado.
  5. Aquecer somente a quantidade a ser utilizada, desprezando-se eventual sobra no recipiente já administrado ao bebê.
  6. O restante do leite já descongelado, mas ainda não administrado ao bebê, pode ser guardado na geladeira por até 24 horas.
  7. Oferecer o leite ordenhado à criança em copinho ou xícara, devendo evitar mamadeira pelo risco de posterior confusão de bicos.
  8. O leite ordenhado não deve ser aquecido em forno de microondas.
  9. Pode-se misturar o leite ordenhado a frutas e farinhas.


Links úteis

Rede Brasileira de Bancos de Leite
Associação Brasileira dos Profissionais de Bancos de Leite Humano e de Aleitamento Materno


Relatora: Dra. Rosangela Gomes dos Santos
Membro do Departamento de Aleitamento Materno da SPSP – gestão 2007-2009; Responsável pelo Banco de Leite Humano do Hospital Regional Sul, São Paulo, SP.