O direito da criança à assistência pediátrica
Dioclécio Campos Júnior
Médico, professor titular da UnB e presidente da Sociedade Brasileira de Pediatria
dicampos@terra.com.br
As primeiras observações relativas à saúde da criança são antigas. Foram feitas em 1722 por Théodore Zwinger, professor de medicina da Basiléia. Ele observou que as doenças conhecidas à época manifestavam-se de forma diferente quando atingiam o organismo da criança. Cunhou a palavra pediatria e fez surgir um campo de pesquisa responsável por incessantes descobertas. A evolução científica nascida naquele momento mudou conceitos e desarmou preconceitos. Demonstrou que criança não é miniatura do adulto, como se pensava até então.
Hoje, sabe-se que a diferença constatada pelo médico suíço não se dá por acaso. Infância e adolescência compõem o ciclo de vida decisivo para o ser humano. Constituem o único período marcado pelos fenômenos do crescimento físico e da diferenciação neuropsicomotora, ambos intensos nas duas primeiras décadas de vida. A condição de adulto saudável depende de cuidados qualificados na fase em que se moldam estruturas orgânicas e se articulam interações que alicerçam personalidades. Graças ao acúmulo de evidências objetivas, a sociedade despertou para a originalidade da infância, a complexidade da adolescência e a especificidade da proteção que demandam. Um dos resultados foi o reconhecimento de que a criança não é objeto, mas sujeito de direitos.
Na Roma antiga, infantia significava incapacidade de falar. Um conceito infundado. Toda criança sempre falou, embora em linguagem que o adulto não quer entender. A ciência funciona como intérprete do discurso infantil. Ajuda a lançar as bases sólidas dos direitos que começam a ser assegurados aos incapazes de falar. Foi assim que o Brasil deu à luz, há 18 anos, o Estatuto da Criança e do Adolescente. A norma jurídica que define a prioridade desse grupo etário para o investimento dos recursos disponíveis, preceito que os governantes descumprem impunemente.
À luz dos conhecimentos científicos acumulados, revela-se o direito de crianças e adolescentes à melhor assistência à saúde de seu tempo. É o avanço capaz de garantir a expansão plena de potencialidades genéticas, em estreita interface com fatores do meio ambiente. Por isso, não se pode relegar a segundo plano a qualidade dos cuidados a parcela tão complexa e expressiva da população. Não se pode entregar a saúde da infância e da adolescência a mãos despreparadas para entendê-la na dimensão que a distingue da saúde das demais faixas etárias.
Os gestores públicos menosprezam a criança e o adolescente. Não projetam estratégias para contingente populacional eivado de tantas singularidades. Preferem diluí-lo nas generalidades acomplia guaranteed overnight delivery em que são discriminados os filhos da pobreza, aos quais reservam assistência médica simplificada, feita por qualquer profissional, distante do padrão a que têm direito. Basta parafrasear Rui Barbosa para mostrar a injustiça cometida: “Tratar com desigualdade a iguais — todas as crianças —, ou com igualdade a desiguais — adultos e crianças —, é desigualdade flagrante, e não igualdade real”.
O Brasil tem tradição de qualidade no atendimento pediátrico. Sempre formou excelentes pediatras. Não estão em falta, exceto no serviço público, onde não há lugar para sua atuação especializada. Os gestores sabem disso. Mas, não abrem mão de procurá-los para cuidarem de seus filhos. Não acreditam no nível da assistência que destinam às crianças deserdadas, porque exclui a pediatria. Desrespeitam o princípio constitucional da igualdade. Defendem um modelo de atendimento para cidadãos de segunda classe — o SUS — e correm atrás de um bom plano de saúde, criado para os de primeira classe. Aprofundam o fosso entre ricos e pobres. A prole dos primeiros tem garantida a plenitude do crescimento e desenvolvimento. A dos segundos sobrevive na rota do descaso.
Exemplo da violação de direito é o Programa online pharmacy without prescription de Saúde da Família, estratégia concebida para assistir a população carente. Pelos números oficiais, o PSF cobre mais de 120 milhões de habitantes. Porém, não há pediatras na sua linha de frente nem na retaguarda. É o médico de família, sem formação pediátrica, que atende de recém-nascidos a idosos. Crianças e adolescentes somam cerca de 50% dessa população. Mais de 60 milhões deles fica sem direito aos cuidados médicos apropriados à sua idade. Não são assistidos por pediatras.
Se o direito ao atendimento pediátrico não for assegurado a todas as crianças e adolescentes do país, a injustiça continuará a corroer o fundamento das políticas públicas. O SUS será, na verdade, um Sistema Ultrapassado de Saúde.
O que fazer quando um bebê ou uma criança engasga
O engasgo ocorre quando há um corpo estranho na traquéia (líquido ou sólido) que causa uma interrupção total ou parcial da passagem do ar respirado. Em bebês, ocorre principalmente por líquidos; em crianças maiores por sólidos como alimentos (salsichas, balas, amendoins, pipocas) e pequenos objetos (partes de brinquedos, botões, etc).
Somente objetos sólidos podem generic acomplia online ocasionar impedimento total da passagem do ar pelas vias aéreas superiores.
Os sinais de alerta são: dificuldade súbita para respirar, com tosse, ruído na inspiração, chiado, abafamento da voz, lábios roxos.
Se a criança ou o bebê estiverem engasgados, porém conseguirem tossir, NÃO MEXA NELES (não chacoalhe, não bata nas costas, não vire de ponta cabeça, não tente retirar com os dedos o que você não estiver vendo). Retire com a mão apenas objetos ou secreção visíveis. Mantenha a criança em posição confortável para ela. A tosse é, neste caso, a melhor chance de expelir o objeto que causou o engasgo; também significa que há respiração.
Se você interferir, pode causar um deslocamento do objeto e piorar a situação com uma obstrução completa e conseqüente, impedimento a respiração. Portanto, apenas incentive-a a tossir.
No caso de engasgo com objeto sólido pode ocorrer obstrução total à passagem do ar pelas vias aéreas superiores. Se houver uma obstrução completa, haverá impedimento à entrada e saída de ar, o que impossibilita a criança ou o bebê de emitirem qualquer som vocal. A criança fica com os lábios e pele arroxeados. Neste caso extremo, enquanto ainda estiverem conscientes:
- na criança maior que 1 ano: posicionar-se atrás da criança, avisando-a da ajuda e iniciar compressões sub-diafragmáticas (manobra de Heimlich), que consistem em apoiar a mão de quem irá realizar a manobra, fechada em punho, encoberta pela outra, entre o umbigo e a extremidade inferior do osso do peito da criança e realizar compressões em trancos para dentro e para cima, até que a criança consiga expelir o objeto ou desmaie.

- Em bebês: apoiar o bebê no braço do socorrista, com a cabeça mais abaixo que o corpo, tendo o cuidado de manter a boca do bebê aberta. Aplicar 5 batidas com o “calcanhar” da mão do socorrista nas costas do bebê, na região entre as escápulas. Virar o bebê com a barriga para cima, mantendo a inclinação original e a boca aberta, e iniciar 5 compressões no osso do peito da criança, logo abaixo da linha imaginária traçada entre os mamilos. Repita esse ciclo até o bebê expelir o objeto ou desmaiar.


Ocorrendo inconsciência (desmaio) tanto na criança, quanto no bebê, grite por ajuda.
- na criança desmaiada: posicione-a em uma superfície rígida, com a barriga para cima. Abra-lhe a boca: se você estiver vendo o objeto, tente retirá-lo com os dedos em forma de pinça. Se não o vir, não ponha os dedos às cegas, pois poderá empurrar o objeto. Nas duas situações descritas, se a criança não estiver respirando, inclinar um pouco a cabeça da criança para trás, posicionar a boca do socorrista de tal forma que forme um selo de vedação em torno da boca da criança. Aperte-lhe o nariz com os dedos da mão mais próxima à cabeça e realize 2 respirações de resgate (o suficiente para que se eleve o peito da criança). Caso você não consiga fazer a criança respirar, inicie as compressões no tórax. Posicione-se ao lado da criança deitada; coloque uma mão sobre o osso do peito, no ponto em que cruza com a linha imaginária entre os mamilos (é permitido colocar outra mão sobre a primeira). Inicie 30 compressões rítmicas, sem permitir que sua mão desencoste do peito da criança. Abra-lhe a boca e veja se o objeto tornou-se visível. Se sim, retire-o com os dedos em pinça. Se não vir o objeto, ou se a criança não estiver respirando, faça mais 2 respirações e continue os ciclos por 2 minutos. Após, se ninguém ainda tiver feito, ligue para 192 e peça ajuda. Retorne e continue os ciclos até a chegada da equipe de resgate.


- No bebê desmaiado: apoiá-lo em uma superfície rígida, com a barriga para cima. Incline-lhe muito pouco a cabeça para trás e, abrindo-lhe a boca, verifique se o objeto é visível. Se for, retire-o com os dedos em pinça. Se não, realize as 2 respirações de resgate, tendo o cuidado de englobar com sua boca, a boca e o nariz do bebê. Se não conseguir fazê-lo respirar, inicie as compressões no tórax. Ponha o indicador e o dedo médio de sua mão sobre o osso do peito do bebê, no ponto em que cruza com a linha imaginária entre os mamilos e inicie um ciclo de 30 compressões e 2 respirações. Após 2 minutos, se insucesso, ligue para 192 e peça ajuda. Após, retorne e continue os ciclos até a chegada do resgate.


Sabendo o que fazer e o que não fazer, há grande chance de um leigo conseguir salvar a vida de uma criança ou bebê engasgados. Quanto mais rápido for prestado o socorro, mais chances terá a criança ou o bebê. Portanto, é importante disseminar esse conhecimento entre as pessoas.
As técnicas em si requerem treinamento. Há cursos específicos, como o Curso de Suporte Básico de Vida para Leigos hiperlink que a Sociedade de Pediatria de São Paulo realiza em parceria com o Instituto de Ensino buy fertility drugs without a prescription e Pesquisa do Hospital Sírio Libanês.
Lembre-se, porém, que a prevenção ainda é o melhor remédio.
Relatora: Dra. Tânia Zamataro
Membro do Departamento de Emergências da SPSP – gestão 2007-2009; Pediatra da UTI do Instituto de Oncologia Pediátrica-GRAACC da UNIFESP e pediatra do Pronto Atendimento Pediátrico do Hospital Israelita Albert Einstein, São Paulo, SP.
Fotos: Dra. Adriana Vada Souza Ferreira
Presidente do Departamento de Emergências da SPSP – gestão 2007-2009
Texto divulgado em 29/10/2007.
Texto atualizado com fotos em 5/05/2008.
Fonte; Sociedade de Pediatria de São Paulo

